Antes da chegada dos colonizadores em Abya Yala, os povos originários já tinham suas culturas, suas línguas e suas cosmologias distintas. Do século XVI até os dias atuais, muitos foram dizimados e, aqueles que sobreviveram, precisam resistir, diariamente. A arte e a literatura surgem, assim, como aliadas para que suas vozes ecoem, suas existências sejam ressignificadas. A partir desse contexto, as primeiras produções de autoria indígena, em especial no Brasil, começaram a surgir. Eliane Potiguara é considerada a matriarca das escritoras indígenas publicando, em 1975, o poema “Identidade Indígena”. Depois disso, em 1980, temos o primeiro livro indígena: “Antes o mundo não existia – mitologia dos antigos Desana-Kehíripõrã”, narrado por Umusï Pãrõkumu e Tõrāmü Këhíri. Entretanto, foi só a partir da década de 1990 que a literatura indígena começou a se fortalecer. Partindo do pressuposto teórico de Ana Pato (2012) para uma “literatura expandida”, que dialoga com outras artes, as linguagens literárias e artísticas de autoria indígena são rupturas de modelos que foram impostos desde a colonização. Ana Tettamanzy (2024) entende que os indígenas, chamados então de “negros da terra”, desde a “primeira missa” se mostraram habilidosos nas artes de traduzir e (in)corporar as diferenças, embora a dita sociedade envolvente ainda hoje perpetue estereótipos coloniais que contestam até mesmo a condição humana desses grupos. Assim, pensar em produções literárias de autoria indígena representa um ato de contracolonizar, aquilo que Bispo (2023) entende como contrariar as palavras coloniais de modo a enfraquecê-las. Este GT objetiva tensionar ideias e padrões pré-estabelecidos no tocante à uma literatura produzida por autores, autoras, artistas e produtores culturais pertencentes aos povos originários. Acolheremos pesquisas concluídas ou em andamento, que possam refletir sobre estudos, práticas educativas e movimentos artísticos produzidos pelos indígenas e/ou indigenistas tanto no Brasil quanto em Abya Yala.
Palavras-chave: Abya Yala, Literaturas indígenas, Resistência contracolonial.

Recepción de trabajos 01/04 al 14/06

